Paraíba

A Paraíba é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situada a leste da região Nordeste e tem como limites o Rio Grande do Norte ao norte, o Oceano Atlântico a leste, Pernambuco ao sul e o Ceará a oeste. Ocupa uma área de 56.439,8 km² (pouco menor que a Croácia).
A capital é João Pessoa. As cidades mais importantes são João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Patos, Sousa, Cajazeiras e Cabedelo. O relevo é modesto, mas não muito baixo; 66% do território estão entre 300 e 900 metros de altitude.

Seus principais rios são o Paraíba, Piranhas, Taperoá, Mamanguape, Curimataú, Peixes e Sanhauá.

História

Só em 1585 João Tavares fundou, na foz do rio Paraíba, o forte São Felipe, para defender a área. A paz com os indígenas foi alcançada em 1599, mesmo assim após uma epidemia de varíola que dizimou a população nativa.

Entre 1634 e 1654, a região foi ocupada pelos holandeses, expulsos por André Vidal de Negreiros. Novos apresamentos de índios nos anos seguintes provocaram revoltas que forçaram uma intervenção militar da metrópole.

Em 1753, foi subordinada à capitania de Pernambuco, da qual se separou novamente em 1799. A Paraíba participou da Revolução de 1817 e da Confederação do Equador (1825).

Em 1930, João Pessoa, governador do Estado, foi indicado como vice-presidente da República na chapa de Getúlio Vargas. Seu assassinato no mesmo ano constituiu-se um estopim para a Revolução de 30.

Clima

Tropical úmido no litoral, com chuvas mais abundantes. À medida em que nos deslocamos para o interior, depois da Serra da Borborema, o clima torna-se semi-árido e sujeito a estiagens prolongadas.

Economia

A economia se baseia na agricultura (cana-de-açúcar, abacaxi, mandioca, milho, feijão), na indústria (alimentícia, têxtil, sucroalcooleira), na pecuária (de modo mais relevante, caprinos, na região do Cariri) e no turismo.

Etnias

Cor/Raça Porcentagem
Brancos 38%
Negros 4%
Pardos 56%
Fonte: PNAD

Composição da população atual

Assim como o povo brasileiro, o paraibano é fruto de uma forte miscigenação entre o branco europeu, os índios locais e os negros africanos. Sendo assim, a população é essencialmente mestiça, e o paraibano médio é predominantemente fruto da forte mistura entre o europeu e o indígena, com alguma influência africana (os caboclos predominam entre os pardos, que representam em torno de 60% da população). A menor presença negra na composição étnica do povo deve-se ao fato de a cultura canavieira no estado não ter sido tão marcante como na Bahia, no Maranhão ou em Pernambuco, o que ocasionou a vinda de pouca mão-de-obra africana.

Apesar da forte mestiçagem do povo, há, contudo, ainda hoje, bolsões étnicos em várias microrregiões: como povos indígenas na Baía da Traição (em torno de sete mil pessoas), resquícios de comunidades quilombolas florescendo em vários municípios do Litoral e do Brejo, e a parcela da população (em torno de 25%) de nítida ascendência européia, que vive principalmente nos grandes centros urbanos e nas cidades ao longo do Brejo e do Alto Sertão.

Entre os mestiços, os mulatos predominam no litoral centro-sul paraibano e no agreste, os caboclos em todo o interior e no litoral norte. Já os cafuzos são raros e dispersos.

Segundo recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2004, 38% das pessoas avaliadas se disseram brancas, 4% negras e 56% pardas (2% não souberam se auto-avaliar). Não houve registro de amarelos ou índios. Esses números, entretanto, devem ser analisados com cautela por dois motivos: primeiro por se tratar de uma pesquisa por amostra, o que revela tendências, mas não tem valor absoluto; segundo, porque há ainda no Brasil uma tendência a se declarar mais para claro do que para escuro, embora isso venha mudando recentemente.

Grupos étnicos formadores do povo paraibano

Populações indígenas
Antes da chegada dos europeus, a Paraíba era habitada por dois grupos principais: os tupis e os cariris.
Os tupis eram formados pelos potiguaras, mais numerosos e ocupavam a região do litoral norte, e pelos tabajaras, em torno de cinco mil no início da colonização, eram pacíficos e amistosos e fundaram Alhandra e Taquara. Apesar de pertencerem ao mesmo tronco tupi, ambos eram povos que viviam em constantes guerras entre si e em incessante locomoção pelo litoral.
Os índios cariris eram mais numerosos e ocupavam desde o Planalto da Borborema até os limites com o Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Diziam que haviam vindo de um “grande lago” e foram logo denominados cariris velhos e cariris novos. Os cariris velhos foram civilizados antes dos novos e se dividiam em sucurus, icós, ariús, pegas, paiacus, caicós e janduís. Destes, os pegas e os sucurus ficaram conhecidos por seu caráter belicoso e por suas lutas contra os bandeirantes.
A maioria dos índios estava de passagem do período paleolítico para o neolítico. A língua falada por eles era o tupi-guarani, utilizada também pelos colonos na comunicação com eles.
Ainda no início da colonização, alguns indígenas tiveram papel expressivo na defesa do Nordeste Oriental contra os estrangeiros inimigos: o índio Piragibe fomentou a paz na conquista da Paraíba. Já Tabira lutou contra os franceses, enquanto Felipe Camarão (o índio Poti) lutou contra os holandeses e foi herói na Batalha dos Guararapes.

Colonizador europeu
Os europeus que vieram para o estado eram predominantemente lusitanos, isso desde o início da colonização no século XVI. Estes chegaram à Paraíba provenientes principalmente da Capitania de Pernambuco. O pequeno número de mulheres brancas na época estimulou logo cedo a miscigenação com mulheres das tribos locais e, em menor escala, com as mulheres escravas, sedimentando a base da população atual.
Algumas famílias, entretanto (principalmente das classes sociais mais altas), preferiram manter uma linhagem mais europeizada e casavam entre si. Houve também famílias judias que vieram para o Nordeste e para a Paraíba expulsas de Portugal na época da Santa Inquisição, como degredados. Muitas emigraram para as Antilhas Holandesas, mas outras preferiram ficar e se integrar à sociedade.

Presença batava
Na época da invasão holandesa, entre 1634 e 1654, embora a miscigenação não tenha sido oficialmente estimulada, há relatos de muitas uniões inter-raciais. A falta de mulheres holandesas estimulou a miscigenação e mesmo o casamento entre oficiais holandeses e filhas de abastados senhores de engenho luso-brasileiros. A herança genética dessas uniões pode ser vista hoje em dia nos traços da população, principalmente no litoral, sendo relativamente comum pessoas morenas de olhos claros ou cabelos louros ou mesmo pessoas louras de pele clara.

Imigração italiana
A partir do meio do século XIX até o início do século XX várias famílias italianas escolheram a Paraíba para se fixar. As primeiras levas coincidiram com a época da independência do Brasil e da abolição da escravatura no Brasil e crescente necessidade de realocação dessa mão-de-obra.
Muitas famílias (Zaccara, Milanez, Grisi, Troccoli, Ciraulo, Cantisani, Cantalice, Di Lascio, Spinelli, Falcone, Faraco, Toscano, entre outras) vieram logo após chegarem ao país pelos portos de Recife e de Santos. Outras saíram de suas colônias na região Sul/Sudeste do país em busca de oportunidades mais ao norte. A maioria se estabeleceu na capital e no Brejo Paraibano, região de clima mais ameno, em razão das altas altitudes do Planalto Borborema, das chuvas regulares e dos solos férteis. As condições econômicas pouco favoráveis no estado na época não favoreceram a vinda de muitos italianos, como aconteceu no sul do Brasil. Entretanto, sua presença foi muito marcante na vida sócio-econômica e cultural, já que sempre ocuparam postos-chave na vida político-social do estado (eram negociantes, médicos, arquitetos, políticos etc.).

Famílias alemãs
No começo do século XX, em torno de 80 famílias alemãs chegaram ao estado para trabalhar na Companhia de Tecidos Rio Tinto. Em 18 de agosto de 1945, os operários brasileiros da fábrica de tecidos invadiram os chalés dos alemães, quebrando tudo e exigindo que os estrangeiros fossem deportados, isso em virtude o ódio advindo do torpedeamento de navios da Marinha Mercante do Brasil por submarinos alemães na Segunda Guerra, conforme a crença geral. Entretanto, com o passar dos anos, os alemães permaneceram e se integraram à cultura local, casando-se com paraibanos e deixando como herança os traços em seus descendentes e na arquitetura dos prédios imponentes de Rio Tinto. Nos idos dos anos 40, Rio Tinto era considerada a mais européia das cidades paraibanas, em virtude da notória influência alemã.

Negros africanos
Na Paraíba, o empreendimento do comércio negreiro iniciou-se logo após o Decreto Real de 1559, da Regente Catarina de Áustria, permitindo aos engenhos comprar cada um doze escravos. O escravo era mercadoria cara, seu valor médio oscilava entre 20 e 30 libras esterlinas. Portanto, em virtude do pequeno desenvolvimento da cultura canavieira no estado e dos altos preços destes, a presença negra foi mais tímida que em muitos estados nordestinos, mas não menos importante.
Hoje em dia, há diversas comunidades quilombolas oficialmente reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares. Caiana dos Crioulos foi reconhecida em 1997, Talhado em 2004 e Engenho Bonfim, Pedra d’água, Matão e Pitombeira obtiveram a certidão de reconhecimento em 2005. Ao todo, foram identificadas 16 comunidades remanescentes de quilombos.

Comunidades quilombolas paraibanas
Caiana dos Crioulos
Engenho Bonfim
Grilo
Gurugi
Jatobá
Lagoa Rasa
Maria da Penha
Matão
Mituassu
Olaria
Pedra d’água
Pitombeira
São Pedro
Seixos
Talhado
Vertente

A presença negra trouxe como herança manifestações culturais, religiosas e influência na culinária, no vocábulo e na maneira de falar, típica do sotaque nordestino.

 Fonte: http://www.revistanordeste.com.br/regiao/paraiba.jsp

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1 Comentário

  1. Izabela de Aquino said,

    junho 1, 2011 às 1:58 pm

    Ótimas informações, o nordeste guarda ricas histórias que não podem ficar guardadas e sim divulgadas para todo o Brasil.
    João Pessoa de fato é uma das cidades mais bonitas do Brasil.
    Povo nordestino são os mais alegres e hospitaleiros mesmo enfrentando diversas dificuldades.

    Parabéns meu povo, e ao site.


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