De hoje até quando eu tomar tenência.

Este blog completaria dois anos de atividades em abril, ele é fruto de um trabalho de Mídia Radical para um curso de Comunicação Social.

Na época da escolha do tema (era para uma expressão sociocultural que “necessitasse” de uma ferramenta de divulgação/mídia) fiz algumas pesquisas e cheguei aos nordestinos, pois eu percebia aqui em São Paulo o alto nível de preconceito sofrido por eles através de nós, paulistanos. Enfim, pesquisei, fiz entrevistas e de fato comprovei a minha tese (tenho aprendido que comprovamos o que queremos nesta vida).

Bom. O tempo vai, o tempo vem.

Abandonei o curso de Comunicação Social e parti para Sociologia e Política. Maysa (não é aquela do Silvio Santos) diria “meu mundo caiu”.

Pausa: a história é longa e sem graça, assim, deixarei os “entretantos e partirei logo para os finalmentes”.

Retomei, neste novo curso, o objeto do preconceito sofrido pelos nordestinos. Agora eu sei que quis dar uma requentada na história. Mas, mas, mas, meus conceitos mudaram, aliás tudo mudou, e nesta nova fase e com novas ferramentas, fui a campo.

Detectei o preconceito, mas percebi que ele é mais um problema para o preconceituoso do que para o objeto dele. Os nordestinos, residentes em São Paulo, vivem suas vidas independentemente do que pensam sobre eles e isso matou o meu argumento de pesquisa.

Confesso ainda que ao atualizar este blog, passei a sentir um certo desconforto, parecia um preconceito às avessas, entende? Os que dizem oxente ou os que dizem bá-tchê, são brasileiros e isso Deve (aquela coisa, talvez utópica, do dever ser) bastar e ampliando ainda mais o olhar, são todos seres humanos e portanto iguais e isso Deve (o mesmo dever ser) resolver as questões de preconceito.

Assim, é provável que eu não mais atualize este blog, procurarei atualizar o http://umapiruetaduaspiruetas.wordpress.com. Não é grande coisa, mas como diz o outro: é o que tem para hoje.

Pretendo, não sei quando, ter objetos mais relevantes e infelizmente são tantos: a violência, as drogas, as crianças, os idosos, etc. Não estou desmerecendo os nordestinos. Por favor. Apenas entendi que eles não são sofredores, do meu ponto de vista, são vencedores.

Beijo, abraço e aperto de mão.

Alê

Bora, bora. Beste não.

Ceará oferece formação para gestor sobre conselho escolar

Gestores e técnicos das secretarias de educação dos municípios e do estado do Ceará podem se inscrever, até o dia 17 de fevereiro, no curso de extensão a distância de formação continuada em conselhos escolares. O curso, uma parceria do Ministério da Educação com a Universidade Federal do Ceará (UFC), oferece 1.000 vagas para educadores cearenses.

O gestor ou técnico interessado em participar do curso deverá ter disponibilidade de 10 horas semanais para estudos e atividades. A carga horária é de 80 horas aula, distribuídas em quatro meses. Após a formação, os profissionais da educação receberão certificação de extensão universitária emitida pela UFC.

Entre os objetivos da formação estão: promover a gestão democrática; estimular os conselhos escolares a realizar um projeto político pedagógico no âmbito da escola, de forma coletiva; estimular a integração entre os conselhos escolares.

Cabe ao conselho participar da gestão administrativa, financeira e pedagógica da escola, a fim de assegurar a qualidade do ensino. Eles têm funções deliberativas, consultivas e mobilizadoras, fundamentais para a gestão democrática das escolas públicas. Entre as atividades dos conselheiros está, por exemplo, fiscalizar a aplicação dos recursos destinados à escola.

Para participar da formação, os interessados devem preencher o formulário eletrônico de inscrição e ser aprovado na seleção que será feita pela UFC. A lista dos selecionados será divulgada em 25 de fevereiro. Caso haja alguma dúvida na inscrição, o gestor ou técnico pode contatar os organizadores do curso pelos seguintes telefones: (85) 3366-9024 e (85) 3366-9031.

Em 2011, o MEC, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, fechará parcerias com outras universidades federais, para atender às demais unidades da federação.

Assessoria de Imprensa da SEB

Fonte: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=16298:ceara-oferece-formacao-para-gestor-sobre-conselho-escolar&catid=211&Itemid=86

Os números de 2010 (Blog Nordestinos Paulistanos)

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog está em brasa!.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um navio de carga médio pode transportar cerca de 4.500 contentores. Este blog foi visitado 16,000 vezes em 2010. Se cada visita fosse um contentor, o seu blog enchia cerca de 4 navios.

Em 2010, escreveu 15 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 123 artigos. Fez upload de 17 imagens, ocupando um total de 1mb. Isso equivale a cerca de uma imagem por mês.

The busiest day of the year was 17 de maio with 128 views. The most popular post that day was É danado de bom..

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram search.conduit.com, pt-br.wordpress.com, google.com.br, blogdoborjao.blogspot.com e search.babylon.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por literatura de cordel, castro alves, cordel, maria bonita e bumba meu boi

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

É danado de bom. maio, 2009
12 comentários

2

Cabras Valentes. maio, 2009
11 comentários

3

Avie: É cordel, é literatura. É literatura, é cordel. agosto, 2010

4

Bahia outubro, 2009
2 comentários

5

Bê-à-bá. maio, 2009

Estão carecendo.

O que doar?
Alimentos não perecíveis, roupas, água, agasalhos, lençóis, remédios e outros.
O Corpo de Bombeiros oferece duas contas para doações em dinheiro:
– Banco do Brasil, agência 3557-2, conta corrente 5241-8, e
– Caixa Econômica Federal, agência 2735, operação 006, conta 955/6.
Doações de todos os valores serão aceitas

Maceió:
– 1º Grupamento de Bombeiros Militar (1º GBM) – Rodovia 316, Km 14, Tabuleiro dos Martins.
– Grupamento de Socorros de Emergência (GSE) – Conjunto Senador Rui Palmeira, S/N.
– Subgrupamento Independente Ambiental (SGIA) – Av. Dr. Antônio Gouveia, S/A, Pajuçara.
– Quartel do Comando Geral (QCG) – Av. Siqueira Campos, S/N, Trapiche da Barra.
– Defesa Civil Estadual (Cedec) – Rua Lanevere Machado n.º 80, Trapiche da Barra.
– Grupamento de Salvamento Aquático (GSA) – Av. Assis Chateaubriand, S/N, Pontal.
– Igreja de São Gonçalo, no Farol
– Instituto da Visão, na Avenida Santa Rita, no Farol
– Shopping Maceió 

Interior:
– 2º Grupamento de Bombeiros Militar – Maragogi, (82) 3296-2026 / 3296-2270.
– 6º Grupamento de Bombeiros Militar – Penedo, (82) 3551-7622 / (82) 3551-5358.
– 7º Grupamento de Bombeiros Militar – Arapiraca e Palmeira dos Índios, (82) 3522-2377, (82) 3421-2695
– 9° Grupamento de Bombeiros Militar – Santana do Ipanema e Delmiro Gouveia, (82) 3621-1491 / (82) 3621-1223

Fonte: http://www.sefaz.al.gov.br/sosalagoas.php

* * *

A Rede Globo, em parceria com o SESI e a CUFA, iniciaram,  uma campanha de arrecadação de donativos para as vítimas das chuvas do Nordeste.

As cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Recife terão postos de coleta localizados nos espaços públicos de exibição dos jogos da Copa do Mundo 2010.

O QUE PODE SER DOADO

Material de higiene e limpeza
Vassoura Pano de chão Sabão em barra Sabão em pó Rodo Detergente Cloro 
Material de higiene pessoal
Pasta de dentes Escova de dentes Escova de cabelo Sabonete Shampoo Condicionador
Água potável
 
Alimentos não perecíveis
Arroz Feijão Fubá Macarrão Leite em pó Açúcar Pó de café Enlatados

LOCAIS DE DOAÇÃO

Durante todos os jogos:
– Rio de Janeiro: no Fifa Fan Fest, na praia de Copacabana
– Belo Horizonte: na Praça da Estação (Centro) e na Praça JK (Sion)

Apenas durante os jogos do Brasil:
– São Paulo: no Vale do Anhangabaú
– Recife: na Arena da Praia do Pina

Unidades do SESI

Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, as unidades do SESI recebem donativos, de 8 às 17 horas.

Clique para ver os postos de coleta do SESI em MINAS GERAIS

Clique para ver os postos de coleta do SESI/SENAI no RIO DE JANEIRO

 Fonte: http://campanhas.acaoglobal.globo.com/

* * *

Produtos doados às vítimas de enchentes em AL têm isenção de ICMS

O objetivo da medida é aumentar as doações; controle das mercadorias doadas será feito por meio dos próprios documentos fiscais, que devem ser encaminhados à Secretaria da Fazenda

SÃO PAULO – A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) de Alagoas vai isentar as mercadorias doadas para as vítimas das enchentes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação DE serviços (ICMS).

A instrução normativa foi publicada nesta terça-feira, 22, no Diário Oficial. A regulamentação vale para as saídas internas de mercadoria no Estado. O objetivo da medida é aumentar as doações.

Segundo a publicação, os contribuintes que desejarem disponibilizar donativos para a população desabrigada poderão emitir nota fiscal tendo como destinatário a Defesa Civil do Estado, sob o CNPJ 02.558636/001-89. Além disso, na natureza da operação, deve constar a designação Doação, tendo o código fiscal (CFOP) 5.910.

O controle das mercadorias doadas será feito por meio dos próprios documentos fiscais, que devem ser enviados à Fazenda, pela Defesa Civil, até o último dia do mês subsequente ao recebimento. As notas também devem estar acompanhadas de ofício endereçado à Superintendência da Receita Estadual.

A Secretaria também está pleiteando junto ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para que a isenção do ICMS seja estendida a mercadorias vindas de outros Estados.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,produtos-doados-as-vitimas-de-enchentes-em-al-tem-isencao-de-icms,570799,0.htm

 

Repare.

Preservação da Memória Nordestina
Ministro Juca Ferreira recebe governador da Paraíba para selar parceria em projetos culturais

Valorizar a  história  e a cultura da Paraíba por meio de ações voltadas à memória foi o foco do apoio que o governador do estado, José Maranhão, pleiteou junto ao Ministério da Cultura. Um encontro com o ministro Juca Ferreira, na manhã desta quinta-feira, 18 de março, em Brasília, selou parcerias para implantação e implementação de diversos projetos artístico-culturais, dentre eles o Memorial Sivuca.

“Tenho o maior carinho por esse projeto. Sou entusiasta do artista”, declarou o ministro, que deseja inaugurar o espaço cultural ainda este ano. Para isso, solicitou uma reunião com os envolvidos no empreendimento para a próxima semana a fim de acelerar a entrega do espaço.

Propostas financiadas pelo Programa Mais Cultura também destacam-se entre os projetos apresentados. São 40 Cines Mais Cultura, 10 Pontos de Leitura e a modernização de 25 bibliotecas públicas. As iniciativas tramitam no MinC e aguardam aprovação. “Eu tenho o maior interesse em ajudar o estado”, afirmou o ministro.

O governador José Maranhão solicitou apoio para mais quatro novas iniciativas – cinco edições Livro de Bolso; Salão Internacional do Livro; Memorial Leandro Gomes de Barros, considerado fundador da literatura de Cordel; Museu da Revolução de 30 (Princesa Isabel) e o Programa de Banda de Música. Este último, na opinião do ministro, de grande relevância para o país: “Temos que quadruplicar os recursos para o Programa de Banda de Música. A grande escola de música do Brasil são as filarmônicas”.

Um memorial em homenagem ao escritor José Lins do Rego é outro projeto de preservação da cultura da Paraíba. A ideia é transformar a fazenda que deu origem ao livro do autor, Menino de Engenho, em um museu. O ministro Juca Ferreira colocou a comitiva paraibana em contato com o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), Luiz Fernando de Almeida, para articular o processo de implantação do espaço cultural.

Para José Maranhão é preciso “acabar com concentração de recursos” e valorizar, também, as tradições do Nordeste brasileiro. O ministro afirmou que a modificação da Lei Rouanet, em tramitação na Câmara dos Deputados, tem exatamente o objetivo de ‘descentralizar o dinheiro” e beneficiar projetos culturais nos seus diversos segmentos de forma igualitária em todas as regiões do país.

Fonte: http://www.cultura.gov.br/site/2010/03/18/preservacao-da-memoria-nordestina/

Pense numa mulher.

Já pensei no dia Internacional da Mulher como um dia preconceituoso “Por que bixiga lixa tem que ter um dia para nós?”, pois é, tem que ter. Afinal, ainda há preconceito, subjugação e violência. Há salários menores e um acúmulo de tarefas que parece ser o preço de nossa independência. Assim, esse Dia Internacional da Mulher não deve ser para a comemoração de nossa existência, porque isso é óbvio, cá estou eu que não deixo mentir, mas sim para a abertura de discussões, para a reflexão ou para ficar com a moléstia dos cachorros, como a nossa companheira abaixo. 

MARIA BONITA,
por Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br

 Maria Gomes de Oliveira nasceu no dia 8 de março de 1911, na fazenda Malhada do Caiçara, próximo à localidade Santa Brígida, no Estado da Bahia. Os familiares chamavam-na de Maria Déia. Seus pais, moradores de Jeremoabo, eram os fazendeiros Maria Joaquina da Conceição e José Gomes de Oliveira.

 Aos 15 anos, Maria Déia se casava com o sapateiro José Miguel da Silva, apelidado Zé do Neném. O casal permaneceria junto durante cinco anos, mas, como José era estéril, eles não tiveram filhos. As brigas entre os dois eram muito freqüentes e, a cada desavença, Maria costumava se mudar para a fazenda Malhada do Caiçara, que ficava próxima à Cachoeira de Paulo Afonso, de propriedade dos seus pais.

Por aquela fazenda passou Virgulino Ferreira da Silva, o famoso e temido Lampião. Uns dizem que, sem nunca tê-lo visto, Maria Déia já nutria um grande amor platônico pelo cangaceiro. Outros afirmam que a mãe dela segredara, ao próprio Lampião, a existência daquela paixão. E, há quem jure, que foi Luís Pedro – um dos integrantes do bando – quem insistiu para o rei do cangaço conhecê-la.

Independentemente de como tenha sido, realmente, aquela troca de energias, fato é que a atração entre eles foi imediata e recíproca: o cangaceiro caiu de amores por Maria Déia e vice-versa. Impressionado por sua beleza, passou a chamá-la de Maria Bonita. E, ao invés de ficar três dias na fazenda, como era de praxe, permaneceu dez, vivenciando com a esposa de Zé do Neném um tórrido romance.

Ao cabo dos dez dias, sem medir riscos e dificuldades, Maria Bonita colocou suas roupas em dois bornais, despediu-se do marido para sempre, abraçou os familiares, e partiu com Lampião rumo à caatinga. Foi a primeira mulher a se inserir oficialmente no bando, abrindo um precedente até então inabalável. Os demais cangaceiros respeitavam-na muito, referindo-se a ela como Dona Maria, Maria de Lampião ou Maria do Capitão. Era o ano 1931 e Maria Bonita tinha 20 anos.

A partir daí, outras mulheres também entraram para o cangaço. Seria uma verdadeira revolução feminista, uma vez que se emanciparam e impuseram respeito. Muito embora não participassem dos combates, de forma direta, elas eram preciosas colaboradoras, tomando parte das brigadas e/ou empreitadas mais perigosas, cuidando dos feridos, cozinhando, lavando, e, principalmente, dando amor aos companheiros. Fosse representando um porto seguro, ou funcionando como um ponto de apoio importante, para se implorar algum tipo de clemência junto aos cangaceiros, as representantes do sexo feminino contribuíam para acalmar e humanizar os homens, limitando-lhes os excessos de desmandos. Muitas portavam armas de cano curto (do tipo Mauser) e, em caso de defesa pessoal, estavam sempre prontas para atirar. Excetuando-se Lampião e Maria Bonita, os casais mais famosos do cangaço foram: Corisco e Dadá; Galo e Inacinha; Moita Brava e Sebastiana; José Sereno e Cila; Labareda e Maria; José Baiano e Lídia; e Luís Pedro e Neném.

Cabe ressaltar que, apesar de receberem a proteção paternalista dos cangaceiros, a vida das mulheres era bastante difícil. Levar a termo as gestações no desconforto da caatinga, por exemplo, significava sofrimento; e, muitas vezes, logo após o parto, elas eram obrigadas a fazer longas caminhadas, fugindo das volantes. Caso não possuíssem uma resistência física incomum, não conseguiam sobreviver àquele cotidiano inóspito.

Após ter ido viver com Lampião, Maria Bonita engravidou, mas, com pouco tempo, perdeu espontaneamente o feto. E este não seria o único aborto que teve na vida. Em 1932, contudo, ela conseguiu levar a termo a gestação, dando à luz à sombra de um umbuzeiro, no meio da caatinga, em Porto de Folha, no Estado de Sergipe. Lampião foi seu parteiro. A criança? Uma menina que chamaram de Expedita.

A despeito de ser um bandido temido por muitos, Lampião era um homem extremamente jeitoso, dotado de grande capacidade de improvisação: confeccionava suas roupas, fazia os curativos, encanava pernas e braços quebrados, realizava os partos das companheiras dos cangaceiros, entre outros. Superdotado de inteligência, ele era, ao mesmo tempo, guerrilheiro, médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista e artesão. 

No tocante à Expedita, vale salientar dois pontos importantes: primeiro, o de que não era permitida a presença de crianças no bando. Logo que nasciam, os bebês eram entregues aos parentes não engajados no cangaço, ou deixados com familiares de padres, coronéis, juízes, militares, ou fazendeiros. Segundo: a vida dos cangaceiros era instável, com intensas perseguições, tiroteios e confrontos. Por esses motivos, Lampião e Maria Bonita não podiam criar Expedita. E os fatos, a partir daí, se tornaram, também, uma questão polêmica. Uns disseram que Expedita foi entregue a tio João, irmão de Lampião, que nunca fez parte do cangaço; e, outros, testemunharam que ela foi deixada com o vaqueiro Manuel Severo, na fazenda Jaçoba. Seja lá como tenha sido, Maria Bonita não pôde criar a própria filha: a sua vida já estava intimamente ligada à própria linha do cangaço.

Em uma luta contra a volante pernambucana, na vila de Serrinha, próximo ao município de Garanhuns (PE), a mulher de Lampião era baleada. Como estava perdendo muito sangue, o Capitão Virgulino deu ordem para que a luta fosse encerrada imediatamente, pegou a sua amada nos braços e seguiu rumo ao município de Buíque, onde ela tratou os ferimentos na vila de Guaribas.        

No dia 27 de julho de 1938, conforme o costume de anos a fio, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. Na madrugada do dia 28, porém, a volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Quando alguém deu o alarme, já era tarde demais.

Quando os policiais abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. O ataque durou uns vinte minutos, e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Lampião fora ferido gravemente e, logo em seguida, o mesmo ocorreu com Maria Bonita.

Ainda assim, ela rastejou até o companheiro (que ainda respirava) e pediu para ele ser poupado. Mas, suas preces foram inúteis. Arrastada pelos cabelos por um dos soldados – José Panta de Godoy – a cangaceira foi degolada viva. Sua cabeça ficou pendurada no pescoço. O próprio Godoy contou, no local da chacina, como procedeu para separar a cabeça de Maria Bonita:

Depois de cortar a cabeça, que até tive que bater no osso, saiu muito sangue, e eu enfiei o dedo dentro do tutano que tinha e barriei tudo, que era de um branco danado.

Feito isso, o corpo foi colocado em posições grotescas, para risos da volante. Das 34 pessoas presentes no bando, 11 foram mortas em Angico. Bastante eufóricos com a vitória, os soldados ainda saquearam e mutilaram os mortos, roubando-lhes todo o dinheiro, ouro, e jóias. Com Maria Bonita morreu, também, a mulher mais famosa da história do cangaço.

Os soldados colocaram as cabeças cortadas, como troféus de vitória, em latas de querosene contendo aguardente e cal. E, para alimentar os urubus, deixaram os corpos mutilados e ensangüentados a céu aberto. Mesmo em adiantado estado de decomposição, as cabeças percorreram uma parte do Nordeste do Brasil, sendo exibidas à população. Elas atraiam multidões, onde quer que fossem expostas.

No Instituto de Medicina Legal de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas e examinadas, pois havia a hipótese de que, um indivíduo normal, não se tornava bandido. Em outras palavras, era preciso haver características sui generis, um tipo de tara sertaneja, para que alguém se transformasse em cangaceiro.

Depois de muitos estudos, no entanto, contrariando aquela tese, os pesquisadores concluíram que as cabeças não apresentavam qualquer sinal de degenerescência física, tampouco anomalias ou displasias, e classificaram-nas, simplesmente, como dolicocéfalas. Feito isto, os restos mortais seguiram para o sul do País e, de lá, para Salvador, onde permaneceram seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, os pesquisadores, não conformados com o laudo anterior, tornaram a medir, pesar, estudar as cabeças. Isto representou, apenas, mais uma das tentativas inúteis para se descobrir uma patologia preexistente. Depois dessa romaria, aqueles trunfos de guerra ficaram expostos, por mais de 30 anos, no Museu Nina Rodrigues, em Salvador.

As famílias dos cangaceiros lutaram junto à Justiça, durante muito tempo, visando proporcionar um enterro digno aos seus parentes. Isto só veio a ocorrer, porém, depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24 de maio de 1965, que teve sua origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e que foi reforçado pelas pressões da população. Neste sentido, após longos anos de exposições, de estudos e protestos, no dia 6 de fevereiro de 1969, as cabeças de Maria Bonita e Lampião foram sepultadas no cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador.

Em se tratando da memória do cangaço, do banditismo, da cultura violenta (indiferença e insensibilidade perante o sangue e a morte), entre outros temas, Maria Bonita tem sido pesquisada por acadêmicos, e destacada através da literatura, do cinema, da fotografia, das artes. Os trovadores e poetas populares nordestinos, ao longo dos anos, compuseram muitos versos (inclusive cantados) utilizando o seu nome. Um deles foi o seguinte:

Acorda, acorda Maria Bonita, 
Acorda, vem fazer o café, 
Que o dia já vem raiando, 
E a polícia já está de pé. 

Maria Bonita e Lampião possuem familiares em Aracaju (SE). Expedita, a única filha do casal, casou-se com Manuel Messias Neto, dando quatro netos – Djair, Gleuse, Isa e Cristina – à mítica rainha do cangaço.

Fonte: http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=309&textCode=6334&date=currentDate

COMO CITAR ESTE TEXTO: 
Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Maria Bonita. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009

Encostando a apragata.

Férias do blog.

Desejo a todos

Até 2010.

Beijo, abraço, aperto de mão e um cheiro.

Alê Almeida

Eu mais você, você mais eu, dá um mundão arretado de bom.

Petrobras Biocombustível compra óleo de cozinha

A Petrobras Biocombustível realizou, em Quixadá (CE), a primeira compra de óleos e gorduras residuais (OGR) da Ó-limpo, Cooperativa Socio ambiental de Reciclagem de Quixadá. Foram adquiridos dois mil litros desta matéria-prima destinada à produção de biodiesel. A iniciativa reúne produção de energia, geração de renda e reaproveitamento do óleo de cozinha usado que durante anos vem sendo descartado no meio ambiente.

A coleta e a reciclagem do OGR são feitas pela cooperativa, constituída por jovens de 18 a 26 anos, de famílias de baixa renda, do município de Quixadá. Criada em 2008, a cooperativa é a primeira no Brasil a comercializar o OGR como matéria-prima para a produção de biodiesel com contrato de fornecedora oficial no Ceará à  Petrobras Biocombustível.

O projeto está em fase inicial. O óleo de fritura vem de restaurantes, hotéis, padarias, lanchonetes, bares e residências de Fortaleza e de Quixadá. Para ampliar o volume de óleo reciclado foram firmadas parcerias com a ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), com o Restaurante da Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes). Leia a matéria  “Cooperativa vende óleo reciclado à Petrobras” do Diário do Nordeste Online

Inclusão social no campo e no meio urbano

Com orientação bem definida na obtenção de matéria-prima da agricultura familiar para a produção de biodiesel, a Petrobras Biocombustível também está comprometida com a geração de emprego e renda no meio urbano por meio do Programa de Coleta para OGR. A proposta é, assim como em Quixadá, gerar condições para replicar este tipo de programa em outras regiões do Brasil.

No que se refere aos aspectos sociais, sabe-se que mais de 80% da população brasileira vive nos centros urbanos e que há um número significativo de cooperativas organizadas para a coleta e comercialização de materiais recicláveis. A Petrobras Biocombustível tem o propósito de organizar uma rede de colaboradores e parceiros alinhados com a proposta de responsabilidade social e de desenvolvimento sustentável.

Fonte da notícia: http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/?m=20091101

Prefeitura de Quixadá: http://www.quixada.ce.gov.br/

Mais Informações:
Cooperativa Ó-Limpo: (88) 3414 3067 – olimpoquixada@gmail.com
Usina de Biodiesel de Quixadá: (85) 3266. 4657

 

 

Aqui ninguém encanga grilo.

Pesquisa indica que 13,5 milhões de brasileiros passaram para o nível intermediário de renda

Cerca de 13,5 milhões de brasileiros saíram da base da pirâmide social e econômica e passaram para o nível intermediário de renda de 1995 a 2008, segundo dados da pesquisa Trajetória da mudança na identidade e na estrutura social brasileira, divulgada nesta quinta-feira (5), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo os dados, 6 milhões (39,8% dos brasileiros) passaram para o nível superior de renda. A pesquisa divide a pirâmide em três extratos de renda: base, intermediário e superior.

As regiões Sudeste e Nordeste são as que se destacaram com a ascensão da base para o nível intermediário de renda. Os estados do Sudeste responderam pela passagem de 4,9 milhões de pessoas no extrato intermediário, e os do Nordeste, por 4,6 milhões. Na Região Sul, saíram da base 1,5 milhão de indivíduos (11,1%), na região Norte 1,4 milhão (10,4%) e no Centro-Oeste 1,1 milhão (8,1%).

Segundo o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, o Nordeste voltou a ter o melhor desempenho econômico no setor privado e do ponto de vista das iniciativas públicas relacionadas aos investimentos. “Isso trouxe melhoras no mercado de trabalho. Parte significativa dos programas de transferência de renda é para a população mais pobre e que ainda continua residindo no Nordeste”, disse.

Leia a matéria completa em :
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/pesquisa-indica-que-13-5-milhoes-de-brasileiros-passaram-para-o-nivel-intermediario-de-renda

Acesse os resultados da pesquisa em: http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/pdf/091104_ComuPres34.pdf

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