Apois.

II Encontro Iberoamericano Afro-Latino

O II Encontro Iberoamericano de Ministros da Cultura para uma Agenda Afrodescendente nas Américas, com o tema A Força da Diáspora Africana, acontecerá em Salvador no período de 25 a 28 de maio.

A abertura oficial será no Teatro Castro Alves e coincide com a comemoração do Dia da África, 25 de maio. Haverá apresentação do I Concerto Afro-Latino com os cantores Elza Soares, Mariene de Castro e Riachão.

O evento é promovido pelo Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares, e visa elaborar um plano que contemple políticas públicas de ações afirmativas para a igualdade racial, por meio de projetos e propostas de cooperação entre os países da América Latina e Caribe.

Esta reunião marca o compromisso assumido em 2008, durante a realização da primeira edição do encontro em Cartagena, na Colômbia, e reunirá, além dos Ministros de Cultura, organismos internacionais como a Organização dos Países Ibero-Americanos (OEI), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Na programação constam eventos como Encontro de Pensadores – reunião de agentes políticos, sociais e especialistas na área de cultura negra na América Latina e Caribe para dialogarem sobre as diretrizes políticas em torno do tema -; apresentação do Observatório Afro-Latino – um programa virtual de intercâmbio de conteúdos sobre as culturas de comunidades afro-latinas e caribenhas -; além de oficinas de percussão e atividades artísticas. Além de plenárias, conferências, atividades artísticas, shows e workshops.

Os interessados em participar do Encontro de Pensadores e das oficinas de percussão devem se inscrever, a partir da próxima terça-feira [17 de maio] no site http://www.encontroafrolatino.com. Os ingressos dos shows também devem ser retirados no site e trocados na portaria do Teatro Castro Alves e do Museu Du Ritmo, onde vão acontecer as apresentações artísticas.

Saiba mais no site da Fundação Cultural Palmares

Fonte: http://www.cultura.gov.br/site/2010/05/14/politicas-culturais-para-afrodescendentes/

Anúncios

Virando, remexendo e ambolando.

Mais uma Virada Cultural em São Paulo.

Eu trabalho no Centro e vocês precisam ver que lindeza que está ficando. É de dar gosto.

A programação completa das atrações pode ser conferida em: http://viradacultural.org/programacao e abaixo seguem algumas relacionadas ao universo nordestino.

O site da Prefeitura de São Paulo traz informações quanto aos horários e transporte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=37527

Um beijo e um cheiro.

Alê

Bulevar São João
19h00 Hermeto Pascoal
03h00 Orquestra Popular do Recife

Estação da Luz: Palco da Dança
11h30 Nordeste, a Dança do Brasil – Balé Popular do Recife e Antúlio Madureira

Mauá – Av. Casper Libero, próximo a Rua Washington, virado para a Rua Mauá
23h10 Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
02h30 Plastique Noir (CE)
05h50 Vendo 147 (BA)
17h30 Cabruêra (PB)

Ruas do Centro
Atrações não limitadas e nenhum lugar.
22h00 Maracatu Bloco de Pedra 

Lgo. do Paissandú
00h0 Capoeira e Apresentações Culturais. – Assoc.dos Capoeiristas de Embu das Artes (vários horários)

CEU – Jaguaré – Rua kenkiti shimomoto 80
16h00 Trio Nordestino
18h00 Movimento Brasilidade

CEU – Aricanduva – rua Olga Fadel Abarca, s/nº – Itaquera
19h00 Marcelo Nova

CEU – Azul da cor do mar – av. Ernesto Souza Cruz, 2171 – Cidade A.E.Carvalho
10h00 – Samba de Roda, Puxada de Rede e Maculelê
11h00 – Roda de Capoeira

CEU – Parelheiros – Rua José Pedro de Borba, 20 – Jd. Novo Parelheiros
17h30 Aula de Forró – Forrozeiros Edy e Déia

CEU – Pq. Anhanguera – R. Pedro José de Lima, s/nº – Anhanguera
18h00 Grupo Candieiro Incendiário + Participação Violão Igor Roil e Convidados
20h00 Apresentação de Literatura de Cordel – Grupo Candieiro Incendiário
15h00 Apresentação de Capoeira

CEU – Paz – R da Paz, s/n° V. Brasilândia – Freguesia Brasilândia
18h00 Oswaldinho do Acordeon
15h00 Trio Alvorada 

CEU – Pq Bristol – R. Profº Dr Artur Primavesi, s/nº – Sacomã
19h00 Raimundos

 CEU – Pêra Marmelo – R. Pêra Marmelo, 226 – Jd. Santa Lucrécia / Jaraguá
22h00 Sociais do Forró
18h00 Anastácia – a Rainha do Forró

 CEU – Sapopemba – R. Manuel Quirino de Matos, s/nº – Sapopemba
18h00 Reconstruindo Nossas Indentidades

CEU – Tiquatira – Av. Condessa Elizabeth de Robiano, s/nº
10h00 Apresentação de Capoeira

CEU – Vila Rubi – R. Domingos Tarroso, 101 – Grajaú
18h00 Trio Virgulino
19h30 Forrueiros 

CEU – Vila Atlântica -R. Coronel José Venâncio Dias, 840 – Jd. Nardini
22h30 Forrobodó 

Pinacoteca Luz
11h00 Feirão de Livros – Equipe do Museu

Centro Cultural Banco do Brasil – Cinema
15h00 O Pagador de Promessas – Anselmo Duarte

Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822
00h00 Cordel do Amor Sem Fim – Trupe Sinhá Zózima

Sesc Santana – Avenida Luiz Dumont Villares, 579
00h0 Reverbeáfrica – Jam Session – Cia Repentistas do Corpo às 2h e 3h
03h30 Móveis Coloniais de Acajú – Móveis Coloniais de Acajú 

Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141
00h0 Spok Frevo – Spok Frevo às 21h e 18h 

Terminal Rodoviário do Tietê – Av. Cruzeiro do Sul, 1800
19h00 Embarque e Desembarque – Intervenção Teatral no Setor de Desembarque do Terminal. – Cia. Ânima Dois

Centro de Tradições Nordestinas – Avenida Jacofér, 615
22h00 Tenkitê
23h00 Sistema Opéra
00h30 Rubens & Ruan
02h00 Sheila Brazill
12h00 Quinteto Dona Zaira
14h00 Rodrigo Marim
00h0 Maria Bonita e Lampião (vários horários)
00h0 Lampião Prateado (vários horários)
16h00 André e Renato
17h00 Cauê Procópio

Desasnando.

MOVIMENTO ARMORIAL

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br

A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos “folhetos” do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus “cantares”, e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados”.
Ariano Suassuna, Jornal da Semana, Recife, 20 maio 1975.

O Movimento Armorial surgiu sob a inspiração e direção de Ariano Suassuna, com a colaboração de um grupo de artistas e escritores da região Nordeste do Brasil e o apoio do Departamento de Extensão Cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Pernambuco.

Teve início no âmbito universitário, mas ganhou apoio oficial da Prefeitura do Recife e da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco.

Foi lançado oficialmente, no Recife, no dia 18 de outubro de 1970, com a realização de um concerto e uma exposição de artes plásticas realizados no Pátio de São Pedro, no centro da cidade.

Seu objetivo foi o de valorizar a cultura popular do Nordeste brasileiro, pretendendo realizar uma arte brasileira erudita a partir das raízes populares da cultura do País.

Segundo Suassuna, sendo “armorial” o conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa. Desse modo, o nome adotado significou o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras.

O Movimento tem interesse pela pintura, música, literatura, cerâmica, dança, escultura, tapeçaria, arquitetura, teatro, gravura e cinema.

Uma grande importância é dada aos folhetos do romanceiro popular nordestino, a chamada literatura de cordel, por achar que neles se encontram a fonte de uma arte e uma literatura que expressa as aspirações e o espírito do povo brasileiro, além de reunir três formas de arte: as narrativas de sua poesia, a xilogravura, que ilustra suas capas e a música, através do canto dos seus versos, acompanhada por viola ou rabeca.

São também importantes para o Movimento Armorial, os espetáculos populares do Nordeste, encenados ao ar livre, com personagens míticas, cantos, roupagens principescas feitas a partir de farrapos, músicas, animais misteriosos como o boi e o cavalo-marinho do bumba-meu-boi.

O mamulengo ou teatro de bonecos nordestino também é uma fonte de inspiração para o Movimento, que procura além da dramaturgia, um modo brasileiro de encenação e representação.

Congrega nomes importantes da cultura pernambucana. Além do próprio Ariano Suassuna, Francisco Brennand, Raimundo Carrero, Gilvan Samico, entre outros, além de grupos como o Balé Armorial do Nordeste, a Orquestra Armorial de Câmara, a Orquestra Romançal e o Quinteto Armorial.

FONTES CONSULTADAS:

MOVIMENTO Armorial. Disponível em: <http://www.pe-az.com.br/subsecao_ler.php?id=MTA0>. Acesso em: 10 maio 2002.

PINTO, Egon Prates. Armorial Brazileiro. Iluminuras de L. G. Loureiro. Rio de Janeiro: Edição Suplementar da Revista da Semana, [19–?].

SUASSUNA, Ariano. O Movimento Armorial. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 1974.

Fonte deste post: GASPAR, Lúcia. Movimento Armorial. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: 20 abr. 2010.

Movimento Armorial no site do Ariano Suassua: http://www.arianosuassuna.com.br/index.php?menu=72

Repare.

Preservação da Memória Nordestina
Ministro Juca Ferreira recebe governador da Paraíba para selar parceria em projetos culturais

Valorizar a  história  e a cultura da Paraíba por meio de ações voltadas à memória foi o foco do apoio que o governador do estado, José Maranhão, pleiteou junto ao Ministério da Cultura. Um encontro com o ministro Juca Ferreira, na manhã desta quinta-feira, 18 de março, em Brasília, selou parcerias para implantação e implementação de diversos projetos artístico-culturais, dentre eles o Memorial Sivuca.

“Tenho o maior carinho por esse projeto. Sou entusiasta do artista”, declarou o ministro, que deseja inaugurar o espaço cultural ainda este ano. Para isso, solicitou uma reunião com os envolvidos no empreendimento para a próxima semana a fim de acelerar a entrega do espaço.

Propostas financiadas pelo Programa Mais Cultura também destacam-se entre os projetos apresentados. São 40 Cines Mais Cultura, 10 Pontos de Leitura e a modernização de 25 bibliotecas públicas. As iniciativas tramitam no MinC e aguardam aprovação. “Eu tenho o maior interesse em ajudar o estado”, afirmou o ministro.

O governador José Maranhão solicitou apoio para mais quatro novas iniciativas – cinco edições Livro de Bolso; Salão Internacional do Livro; Memorial Leandro Gomes de Barros, considerado fundador da literatura de Cordel; Museu da Revolução de 30 (Princesa Isabel) e o Programa de Banda de Música. Este último, na opinião do ministro, de grande relevância para o país: “Temos que quadruplicar os recursos para o Programa de Banda de Música. A grande escola de música do Brasil são as filarmônicas”.

Um memorial em homenagem ao escritor José Lins do Rego é outro projeto de preservação da cultura da Paraíba. A ideia é transformar a fazenda que deu origem ao livro do autor, Menino de Engenho, em um museu. O ministro Juca Ferreira colocou a comitiva paraibana em contato com o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MinC), Luiz Fernando de Almeida, para articular o processo de implantação do espaço cultural.

Para José Maranhão é preciso “acabar com concentração de recursos” e valorizar, também, as tradições do Nordeste brasileiro. O ministro afirmou que a modificação da Lei Rouanet, em tramitação na Câmara dos Deputados, tem exatamente o objetivo de ‘descentralizar o dinheiro” e beneficiar projetos culturais nos seus diversos segmentos de forma igualitária em todas as regiões do país.

Fonte: http://www.cultura.gov.br/site/2010/03/18/preservacao-da-memoria-nordestina/

Pense numa mulher.

Já pensei no dia Internacional da Mulher como um dia preconceituoso “Por que bixiga lixa tem que ter um dia para nós?”, pois é, tem que ter. Afinal, ainda há preconceito, subjugação e violência. Há salários menores e um acúmulo de tarefas que parece ser o preço de nossa independência. Assim, esse Dia Internacional da Mulher não deve ser para a comemoração de nossa existência, porque isso é óbvio, cá estou eu que não deixo mentir, mas sim para a abertura de discussões, para a reflexão ou para ficar com a moléstia dos cachorros, como a nossa companheira abaixo. 

MARIA BONITA,
por Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
pesquisaescolar@fundaj.gov.br

 Maria Gomes de Oliveira nasceu no dia 8 de março de 1911, na fazenda Malhada do Caiçara, próximo à localidade Santa Brígida, no Estado da Bahia. Os familiares chamavam-na de Maria Déia. Seus pais, moradores de Jeremoabo, eram os fazendeiros Maria Joaquina da Conceição e José Gomes de Oliveira.

 Aos 15 anos, Maria Déia se casava com o sapateiro José Miguel da Silva, apelidado Zé do Neném. O casal permaneceria junto durante cinco anos, mas, como José era estéril, eles não tiveram filhos. As brigas entre os dois eram muito freqüentes e, a cada desavença, Maria costumava se mudar para a fazenda Malhada do Caiçara, que ficava próxima à Cachoeira de Paulo Afonso, de propriedade dos seus pais.

Por aquela fazenda passou Virgulino Ferreira da Silva, o famoso e temido Lampião. Uns dizem que, sem nunca tê-lo visto, Maria Déia já nutria um grande amor platônico pelo cangaceiro. Outros afirmam que a mãe dela segredara, ao próprio Lampião, a existência daquela paixão. E, há quem jure, que foi Luís Pedro – um dos integrantes do bando – quem insistiu para o rei do cangaço conhecê-la.

Independentemente de como tenha sido, realmente, aquela troca de energias, fato é que a atração entre eles foi imediata e recíproca: o cangaceiro caiu de amores por Maria Déia e vice-versa. Impressionado por sua beleza, passou a chamá-la de Maria Bonita. E, ao invés de ficar três dias na fazenda, como era de praxe, permaneceu dez, vivenciando com a esposa de Zé do Neném um tórrido romance.

Ao cabo dos dez dias, sem medir riscos e dificuldades, Maria Bonita colocou suas roupas em dois bornais, despediu-se do marido para sempre, abraçou os familiares, e partiu com Lampião rumo à caatinga. Foi a primeira mulher a se inserir oficialmente no bando, abrindo um precedente até então inabalável. Os demais cangaceiros respeitavam-na muito, referindo-se a ela como Dona Maria, Maria de Lampião ou Maria do Capitão. Era o ano 1931 e Maria Bonita tinha 20 anos.

A partir daí, outras mulheres também entraram para o cangaço. Seria uma verdadeira revolução feminista, uma vez que se emanciparam e impuseram respeito. Muito embora não participassem dos combates, de forma direta, elas eram preciosas colaboradoras, tomando parte das brigadas e/ou empreitadas mais perigosas, cuidando dos feridos, cozinhando, lavando, e, principalmente, dando amor aos companheiros. Fosse representando um porto seguro, ou funcionando como um ponto de apoio importante, para se implorar algum tipo de clemência junto aos cangaceiros, as representantes do sexo feminino contribuíam para acalmar e humanizar os homens, limitando-lhes os excessos de desmandos. Muitas portavam armas de cano curto (do tipo Mauser) e, em caso de defesa pessoal, estavam sempre prontas para atirar. Excetuando-se Lampião e Maria Bonita, os casais mais famosos do cangaço foram: Corisco e Dadá; Galo e Inacinha; Moita Brava e Sebastiana; José Sereno e Cila; Labareda e Maria; José Baiano e Lídia; e Luís Pedro e Neném.

Cabe ressaltar que, apesar de receberem a proteção paternalista dos cangaceiros, a vida das mulheres era bastante difícil. Levar a termo as gestações no desconforto da caatinga, por exemplo, significava sofrimento; e, muitas vezes, logo após o parto, elas eram obrigadas a fazer longas caminhadas, fugindo das volantes. Caso não possuíssem uma resistência física incomum, não conseguiam sobreviver àquele cotidiano inóspito.

Após ter ido viver com Lampião, Maria Bonita engravidou, mas, com pouco tempo, perdeu espontaneamente o feto. E este não seria o único aborto que teve na vida. Em 1932, contudo, ela conseguiu levar a termo a gestação, dando à luz à sombra de um umbuzeiro, no meio da caatinga, em Porto de Folha, no Estado de Sergipe. Lampião foi seu parteiro. A criança? Uma menina que chamaram de Expedita.

A despeito de ser um bandido temido por muitos, Lampião era um homem extremamente jeitoso, dotado de grande capacidade de improvisação: confeccionava suas roupas, fazia os curativos, encanava pernas e braços quebrados, realizava os partos das companheiras dos cangaceiros, entre outros. Superdotado de inteligência, ele era, ao mesmo tempo, guerrilheiro, médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista e artesão. 

No tocante à Expedita, vale salientar dois pontos importantes: primeiro, o de que não era permitida a presença de crianças no bando. Logo que nasciam, os bebês eram entregues aos parentes não engajados no cangaço, ou deixados com familiares de padres, coronéis, juízes, militares, ou fazendeiros. Segundo: a vida dos cangaceiros era instável, com intensas perseguições, tiroteios e confrontos. Por esses motivos, Lampião e Maria Bonita não podiam criar Expedita. E os fatos, a partir daí, se tornaram, também, uma questão polêmica. Uns disseram que Expedita foi entregue a tio João, irmão de Lampião, que nunca fez parte do cangaço; e, outros, testemunharam que ela foi deixada com o vaqueiro Manuel Severo, na fazenda Jaçoba. Seja lá como tenha sido, Maria Bonita não pôde criar a própria filha: a sua vida já estava intimamente ligada à própria linha do cangaço.

Em uma luta contra a volante pernambucana, na vila de Serrinha, próximo ao município de Garanhuns (PE), a mulher de Lampião era baleada. Como estava perdendo muito sangue, o Capitão Virgulino deu ordem para que a luta fosse encerrada imediatamente, pegou a sua amada nos braços e seguiu rumo ao município de Buíque, onde ela tratou os ferimentos na vila de Guaribas.        

No dia 27 de julho de 1938, conforme o costume de anos a fio, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. Na madrugada do dia 28, porém, a volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Quando alguém deu o alarme, já era tarde demais.

Quando os policiais abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa. O ataque durou uns vinte minutos, e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Lampião fora ferido gravemente e, logo em seguida, o mesmo ocorreu com Maria Bonita.

Ainda assim, ela rastejou até o companheiro (que ainda respirava) e pediu para ele ser poupado. Mas, suas preces foram inúteis. Arrastada pelos cabelos por um dos soldados – José Panta de Godoy – a cangaceira foi degolada viva. Sua cabeça ficou pendurada no pescoço. O próprio Godoy contou, no local da chacina, como procedeu para separar a cabeça de Maria Bonita:

Depois de cortar a cabeça, que até tive que bater no osso, saiu muito sangue, e eu enfiei o dedo dentro do tutano que tinha e barriei tudo, que era de um branco danado.

Feito isso, o corpo foi colocado em posições grotescas, para risos da volante. Das 34 pessoas presentes no bando, 11 foram mortas em Angico. Bastante eufóricos com a vitória, os soldados ainda saquearam e mutilaram os mortos, roubando-lhes todo o dinheiro, ouro, e jóias. Com Maria Bonita morreu, também, a mulher mais famosa da história do cangaço.

Os soldados colocaram as cabeças cortadas, como troféus de vitória, em latas de querosene contendo aguardente e cal. E, para alimentar os urubus, deixaram os corpos mutilados e ensangüentados a céu aberto. Mesmo em adiantado estado de decomposição, as cabeças percorreram uma parte do Nordeste do Brasil, sendo exibidas à população. Elas atraiam multidões, onde quer que fossem expostas.

No Instituto de Medicina Legal de Maceió, as cabeças foram medidas, pesadas e examinadas, pois havia a hipótese de que, um indivíduo normal, não se tornava bandido. Em outras palavras, era preciso haver características sui generis, um tipo de tara sertaneja, para que alguém se transformasse em cangaceiro.

Depois de muitos estudos, no entanto, contrariando aquela tese, os pesquisadores concluíram que as cabeças não apresentavam qualquer sinal de degenerescência física, tampouco anomalias ou displasias, e classificaram-nas, simplesmente, como dolicocéfalas. Feito isto, os restos mortais seguiram para o sul do País e, de lá, para Salvador, onde permaneceram seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, os pesquisadores, não conformados com o laudo anterior, tornaram a medir, pesar, estudar as cabeças. Isto representou, apenas, mais uma das tentativas inúteis para se descobrir uma patologia preexistente. Depois dessa romaria, aqueles trunfos de guerra ficaram expostos, por mais de 30 anos, no Museu Nina Rodrigues, em Salvador.

As famílias dos cangaceiros lutaram junto à Justiça, durante muito tempo, visando proporcionar um enterro digno aos seus parentes. Isto só veio a ocorrer, porém, depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24 de maio de 1965, que teve sua origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e que foi reforçado pelas pressões da população. Neste sentido, após longos anos de exposições, de estudos e protestos, no dia 6 de fevereiro de 1969, as cabeças de Maria Bonita e Lampião foram sepultadas no cemitério da Quinta dos Lázaros, em Salvador.

Em se tratando da memória do cangaço, do banditismo, da cultura violenta (indiferença e insensibilidade perante o sangue e a morte), entre outros temas, Maria Bonita tem sido pesquisada por acadêmicos, e destacada através da literatura, do cinema, da fotografia, das artes. Os trovadores e poetas populares nordestinos, ao longo dos anos, compuseram muitos versos (inclusive cantados) utilizando o seu nome. Um deles foi o seguinte:

Acorda, acorda Maria Bonita, 
Acorda, vem fazer o café, 
Que o dia já vem raiando, 
E a polícia já está de pé. 

Maria Bonita e Lampião possuem familiares em Aracaju (SE). Expedita, a única filha do casal, casou-se com Manuel Messias Neto, dando quatro netos – Djair, Gleuse, Isa e Cristina – à mítica rainha do cangaço.

Fonte: http://www.fundaj.gov.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=16&pageCode=309&textCode=6334&date=currentDate

COMO CITAR ESTE TEXTO: 
Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Maria Bonita. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009

Se avie: é muito mestre pra pouco mundo.

Lançamento do V Encontro Mestres do Mundo em Fortaleza com “Terreirada”
Evento reunirá 150 mestres da América Latina em Limoeiro no mês de março

Na próxima quarta-feira, 25 de fevereiro, em Fortaleza, será promovido o lançamento do V Encontro Mestres do Mundo, que ocorrerá no mês de março, na cidade cearense de Limoeiro do Norte, reunindo mestres de saber tradicional do Brasil e de outros países da América Latina.

O lançamento será realizado a partir das 16h, no Minimuseu Firmeza (Rua Via Férrea, nº 259), no bairro do Mondubim. Durante o evento, haverá a tradicional ‘Terreirada’, que terá como anfitriã a mestre Dona Nice Firmeza, apresentação do Boi Ceará de Mestre Zé Pio e outras atividades culturais.

O Encontro acontecerá entre 17 e 20 de março, no município de Limoeiro, localizado a 198 quilômetros de Fortaleza, e reunirá cerca de 150 Mestres brasileiros e latino-americanos. Nos quatro dias do evento, os mestres das culturas populares se encontrarão para apresentações e trocas de experiências sobre seus saberes e fazeres, reunindo em um único local uma grande diversidade de tradições vindas de várias regiões brasileiras e de outros países.

Estão programadas oficinas e seminários, além de apresentações artísticas em palcos montados na Praça da Igreja Matriz. As atividades do Encontro serão divididas em cinco categorias de Mestres da Cultura: das Mãos (artesãos, bordadeiras, gravadores, etc.); do Corpo (dança, teatro e performances tradicionais); do Sagrado (penitentes, rezadeiras, profetas da chuva, entre outros); do Som (músicos, instrumentistas, luthiers); e da Oralidade (contadores de história, poetas, cordelistas e repentistas).

Matéria completa: http://www.cultura.gov.br/site/2010/02/18/lancamento-do-v-encontro-mestres-do-mundo-em-fortaleza-com-terreirada/

Mais informações para a imprensa sobre o assunto com a AD2M Engenharia de Comunicação, pelo fone (85) 3258.1001. Falar com Bruno Sampaio (85) 9605.0462 pelo e-mail bruno@ad2m.com.br
(Heli Espíndola-Comunicação/SID)

Né leriado não.

Piauí é contemplado com dois Prêmios Culturas Populares
Dos estados do Nordeste, o Piauí foi contemplado pelo Ministério da Cultura com 4 prêmios em duas categorias

Dos estados do Nordeste, o Piauí foi contemplado com 4 prêmios em duas categorias. Entre os 1.113 mestres inscritos no Prêmio Culturas Populares 2009 – Edição Mestra Dona Isabel, Domingos Viana da Silva, o seu “Domingos Grande” foi escolhido como mestre de reisado do município de Nossa Senhora de Nazaré e Antonio Pereira da Silva, o seu Citonho, como mestre de marujada do município de Campo Maior.

Já na categoria grupos selecionados foram escolhidos o Tambor de Crioula da Comunidade Quilombola Olho D’água dos Azevedos e o grupo de Bumba-Meu-Boi Estrela Dalva de Teresina.

O edital com o resultado final, constando a lista dos habilitados e selecionados e outras informações encontra-se no site do MinC a seguir http://www.cultura.gov.br/site/2010/02/03/culturas-populares-12/

Leia a matéria completa em: http://www.cultura.gov.br/site/2010/02/10/piaui-e-contemplado-com-dois-premios-culturas-populares/

Arriando a fivela.

Pé de Mulambo, 07/02 no Sesc Osasco  

SESC VERÃO 2010 – EU, VOCÊ, TODO MUNDO EM MOVIMENTO!  
O grupo realiza um trabalho de pesquisa calcado nas tradições da rabeca e da viola de 10 cordas com seus baiões, xotes, choros, ponteados e cantorias. O repertório apresenta adaptações de gêneros regionais nordestinos e influências de ritmos do sudeste como fandangos e folias. Nas composições próprias e nos arranjos, o Pé de Mulambo traz não só a ancestralidade da música regional, mas também se reporta ao meio urbano onde o trabalho surgiu e vem se desenvolvendo.
O grupo Pé de Mulambo foi criado em setembro de 2007 pelos músicos Filpo Ribeiro (São Paulo-SP), Guluga (Recife–PE) e Rone Gomes (Olinda–PE). A parte rítmica fica a cargo da marcação precisa do Triângulo e da Zabumba com seus graves atuando quase como um contrabaixo, com arranjos que exploram o ponto de intersecção entre o regional e o urbano.

Serviço:
SESC Osasco (telefone: 11 3184-0900)  
07/02, Domingo, às 16h30. 
Rua Georgina, 64.
Grátis.
 
http://www.myspace.com/pedemulambo

Fonte: http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=166274

 

Encostando a apragata.

Férias do blog.

Desejo a todos

Até 2010.

Beijo, abraço, aperto de mão e um cheiro.

Alê Almeida

« Older entries Newer entries »