A benção Seu Ferreira Gullar

Prêmio Camões 2010
Ferreira Gullar é o 22º escritor a receber o prêmio

O poeta e dramaturgo maranhense Ferreira Gullar recebeu, na tarde desta quinta-feira, 16 de setembro, o Prêmio Luís de Camões 2010, o mais importante prêmio literário da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). A cerimônia aconteceu na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, da qual participaram o Presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, representando o ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira; o conselheiro cultural de Portugal, presidente do Instituto Camões e representante do Embaixador de Portugal no Brasil, Adriano Jordão; o acadêmico Murilo Melo Filho, da Academia Brasileira de Letras, e Adair Rocha, representante do ministro Juca Ferreira no Rio de Janeiro.

“Estou muito feliz com esse prêmio. Valeu a pena”, disse Ferreira Gullar. “Estou feliz porque os meus amigos estão felizes com a escolha. Todos sabem que esse prêmio tem uma alta significação. Indica um critério, uma seriedade. Estou na companhia de gente fina”, afirmou, lembrando os ganhadores das edições anteriores.

“É razão de muito júbilo quando se festeja, no presente, um poeta, um filósofo. A festa é muito maior quando se premia um grande poeta, como Ferreira Gullar”, disse Muniz Sodré, presidente da FBN.

Durante a cerimônia, Gullar leu o poema “Verão”, de sua autoria, que dedicou aos amigos do Grupo Opinião, marco do teatro de protesto e resistência no Brasil, durante os anos 1960. “A gente escreve para o outro. O sentido da vida é o outro. É o outro o nosso herdeiro, em todos os sentidos”, disse.

Adriano Jordão ressaltou a importância de se ter um prêmio “a quatro mãos”, entre Brasil e Portugal, e disse que “a maneira brasileira de ser está na poesia de Gullar”. Para Adair Rocha, a poesia de Gullar “interfere diretamente no sentido das coisas”. O acadêmico Murilo Melo, em nome dos imortais da ABL, disse que a instituição está orgulhosa pela escolha do júri neste ano: “Prêmio outorgado ao poeta, pensador e escritor que tanto honra a inteligência brasileira”.

Escolha foi anunciada em maio

O anúncio do Prêmio Camões foi divulgado pelo Ministério da Cultura do Brasil, por meio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN/MinC) e o Instituto Camões, em maio deste ano. A escolha foi anunciada pela ministra da Cultura de Portugal, Gabriela Canavilhas, e pela Comissão Julgadora do Prêmio, em cerimônia realizada no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa (Portugal). O valor do Prêmio é de € 100 mil, quantia dividida entre os governos do Brasil e de Portugal.

A escolha de cada vencedor do Prêmio acontece a portas fechadas, durante apenas um dia do ano, sem a existência de concorrentes pré-definidos. O critério utilizado pelo júri é a representatividade do trabalho de cada escritor para a língua e cultura portuguesas. O vencedor é anunciado somente após o consenso dos seis membros da Comissão em torno de um nome. Os jurados Edla Van Steen e Antônio Carlos Secchin, do Brasil, e Inocência Luciano dos Santos Mata, de São Tomé e Príncipe, foram os indicados pelo ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, para integrar a Comissão Julgadora. Luiz Carlos Patraquim, de Moçambique, Helena Buescu (que presidiu o Júri) e José Carlos Seabra Pereira, portugueses, foram indicados pela ministra da Cultura de Portugal. Inocência Mata e Luiz Carlos Patraquim foram os representantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palops).

Aos 80 anos, Ferreira Gullar é o 22º escritor a ganhar o prêmio. Pelo segundo ano consecutivo, a poesia foi destacada pelo júri; no ano passado, o poeta cabo-verdiano Armènio Vieira foi o nome agraciado com o Camões, sendo o primeiro escritor de seu país a receber a honraria. Instituído em 1988 pelos governos do Brasil e de Portugal, o Prêmio Camões é concedido anualmente pela FBN/MinC e pelo Instituto Camões, com o objetivo de estreitar os laços culturais entre países lusófonos, premiando seus escritores mais representativos.

Lista de ganhadores do Prêmio Camões

1989 – Miguel Torga, Portugal
1990 – João Cabral de Melo Neto, Brasil
1991 – José Craveirinha, Moçambique
1992 – Vergílio Ferreira, Portugal
1993 – Rachel de Queiroz, Brasil
1994 – Jorge Amado, Brasil
1995 – José Saramago, Portugal
1996 – Eduardo Lourenço, Portugal
1997 – “Pepetela” – Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, Angola
1998 – Antonio Candido, Brasil
1999 – Sophia de Mello Breyner, Portugal
2000 – Autran Dourado, Brasil
2001 – Eugénio de Andrade, Portugal
2002 – Maria Velho da Costa, Portugal
2003 – Rubem Fonseca, Brasil
2004 – Agustina Bessa-Luís, Portugal
2005 – Lygia Fagundes Telles, Brasil
2006 – José Luandino Vieira, Portugal/Angola (o autor recusou o prêmio)
2007 – Antonio Lobo Antunes, Portugal
2008 – João Ubaldo Ribeiro, Brasil
2009 – Arménio Vieira, Cabo Verde
2010 – Ferreira Gullar, Brasil

Fonte: http://www.cultura.gov.br/site/2010/09/17/premio-camoes-2010-2/